Brincadeira de criança

Márcia voltava aos nervos para casa. Trânsito, barulho, chuva, calor, e ninguém atende ao telefone. A reunião na escola de Pedrinho foi tensa, a última brincadeira do garoto rendeu sérias críticas de professoras e da diretora da escolinha.

Ele simplesmente comandou 30 coleguinhas de sua idade com baldes cheios de tinta pintando toda a escola. Paredes, armários, janelas, cozinha, carteiras, colegas, banheiros, e inclusive professoras que tentavam segurar a fúria dessas crianças. Os “diabinhos”, forma como a diretora apelidou as crianças, foram mandados para casa nos ônibus antes das mães chegarem, e a mãe de Pedrinho ouviu os piores desaforos.

Ela batia no volante, se descabelava, chorava e alimentava sua ira e raiva lembrando-se das palavras da diretora, do trânsito, da chuva, da unha quebrada, da espinha no nariz, das rugas e estrias. Márcia chegou a casa em pé de guerra e ao abrir a porta se deparou com os móveis e paredes de sua casa pintados com tinta vermelha, a mesma tinta que ela havia comprado para pintar um dos cômodos da casa.

 – PEDRO HENRIQUEEEE!!!!

 Ela correu pela casa em busca daquele “diabinho” e a cada parede ou cômodo pintado, seu desespero aumentava.

– NÃO!…NÃO!!…NÃÃÃÃÕOO!!! PEDRO HENRIQUEEEE!!!

Sala, cozinha, escadas, banheiro, paredes, chão, teto. Seguindo as marcas vermelhas, Márcia chegou ao seu quarto deparando-se com pegadas vermelhas não só no chão, como nas paredes, armários e a colcha que ganhara de sua avó. Pedrinho, em cima da cama e todo vermelho, olhava para sua mãe assustado e com a mão na parede.

 – Que foi mãe?

– PEDRO HENRIQUE!! Quantas vezes eu já te disse para…para…para… O que é isso?

– Mãe, você sempre diz que quer pintar a casa e nunca tem tempo, então quis te ajudar.

Na parede atrás de sua cama uma frase pintada com tinta vermelha dizia: MÃE, TE AMO!

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No dia seguinte todos os móveis foram retirados da casa, papéis no chão, janelas forradas e 50 latas de tinta abertas foram espalhadas pela casa. Trinta crianças comandadas pelo jovem Pedro Henrique pintaram a toda a casa, exceto o quarto de Márcia.

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