Quer que eu lhe conte uma estória? (Rubem Alves)

Sabe quando você pega um livro nas mãos e começa a dialogar com ele, seja com a capa, as imagens, a orelha e o título? Foi exatamente isso que aconteceu comigo quando peguei nas mãos o novo livro do escritor Rubem Alves intitulado “Quer que eu lhe conte uma estória?”, e de pronto respondi com um “sim” empolgante que se renovava a cada estória do livro.

Para um leitor desavisado o livro pode parecer simples e infantil já que contém contos sobre rãs, sapos, urubus, passarinhos, borboletas e outros tantos animais. Porém para o educador Claudio de Moura Castro “ensinar é contar histórias”, e Rubem Alves usa as estórias de seu livro para ensinar lições simples sobre liberdade, amizade e amor.

Percebemos isso claramente nos contos do passarinho engaiolado que ao sair da gaiola teme a liberdade; do “príncipe” cego que se apaixona pela cinderela moderna através dos versos de Fernando Pessoa; do pastor vegetariano que por gostar tanto de suas ovelhas não comia carne, entre outras estórias.

Além de ensinamentos Rubem Alves também deixa explicito em seus contos sua crítica sobre educação, consumismo e meio ambiente de forma simples e descomplicada sem usar de números, dados científicos ou pesquisas. Segundo ele, as estórias têm esse poder descomplicador, e que qualquer leitor entende.

Assim ele compara o aquecimento global a uma caverna povoada por homens e suas velas acesas, em que o número de velas acesas mede a riqueza de cada um, e consequentemente isso causa o aumento do calor dentro da caverna sem janelas. Em outro conto ele compara os diplomas ao número de chapéus que devemos usar para multiplicar a inteligência e crítica a educação ao inverter o conto do Pinóquio em que a escola transforma meninos em bonecos de pau idênticos.

Seja através das lições passadas nos contos, ou então pelas críticas, o fato é que as estórias contidas no livro fazem transparecer o lado do professor e educador Rubem Alves. Segundo o educador Claudio de Moura Castro os “bons professores eletrizam seus alunos com narrativas interessantes ou curiosas, carregando nas costas as lições que querem ensinar”. E é com narrativas eletrizantes e interessantes que o autor nos prende do início até o fim deste livro que é um convite para aprender com cada estória contada pelo professor Rubem Alves.

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Um comentário sobre “Quer que eu lhe conte uma estória? (Rubem Alves)

  1. Os livros do Rubem Alves são deliciosos de se ler, porque ele consegue a mágica de dialogar conosco. Por muitas vezes me peguei sorrindo ao ler suas doses de sabedoria mineira. Pra mim, Rubem Alves é o maior escritor vivo do Brasil.

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