O Casamento Literário

Escolhemos casar em uma biblioteca, para ter todos os escritores, livros e traças como testemunhas. O celebrante da união foi o escritor Rubem Alves, que já fora pastor e não teria dificuldades para pronunciar as palavras derradeiras para o nosso futuro. A cerimônia começaria pontualmente à meia-noite – para evitar a quebra de feitiços repentinos. Em seguida serviríamos canapés acompanhados de vinho do porto e cantores de cordel para abrir o apetite.

Só entraram aqueles que receberam garrafas com mensagens embebidas em café. Capitão Haddock e seu amigo Tintim foram encarregados de entregar em mãos tais papéis em garrafas em troca de vinho e whisky para o casamento. Além das bebidas fermentadas, também era pedido um presente útil para a futura vida conjugal dos noivos, acompanhado de mensagens inspiradas em grandes mestres da literatura.

No jantar seria servido um banquete real, com um novilho assado na brasa proveniente da queima de tablets pela velha Inquisição – que dizia ser a tecnologia, essa sim, obra do demônio. Seguida a refeição, a noiva jogara o célebre livro de Machado de Assis na esperança de que outras Capitus encontrassem seus Bentinhos e para os homens, ainda solteiros, foi jogado Lolita, para que um jovem amor rejuvenescesse corações envelhecidos.

A valsa foi dançada em cima da mesa enquanto trovadores cantavam cantigas de amor. Os demais convidados aproveitaram o clima romântico para convidar as damas para acompanhar os noivos, e antes que o clima amoroso terminasse, os recém-casados fugiram sorrateiramente para curtir sua primeira noite de amor.

Em seguida ao clima romântico, instalou-se a balburdia. Poetas duelistas, trajados de Dom Quixote, subiram nas mesas e digladiaram versos ao vento como ataques de espadas certeiros. Falsos casais enveredaram por entre livros em busca do paraíso de Luisa e Basílio, mulheres jogaram seu charme inspiradas em Madame Bovary e os maridos traídos juraram de morte os lobos que desafiaram coronéis.

Na saída, já ao amanhecer, cada convidado pegou um livro das estantes da biblioteca como lembrança do casamento literário.

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