Eu e o narrador

Recentemente descobri que existe um narrador que gostaria de contar a minha história. Mas como sou teimoso eu preferi contá-la eu mesmo, afinal queria mantê-la sob o meu controle e o narrador aceitou. A principio eu tentei viver minha vida e ao final dela contar todas as minhas aventuras, mas o narrador alertou-me que eu provavelmente esqueceria muitos detalhes e isso tornaria minha história pobre. Então pensei no oposto, contaria minha vida nos meus primeiros anos e depois sairia para vivê-la, mas o narrador disse que dessa forma eu não teria credibilidade por não ter vivido minha própria história. Então ouvi a proposta do narrador:

– Que tal eu contar sua história e você apenas vivê-la?

A ideia não era ruim, mas deixar um narrador desconhecido contar a minha história soava-me estranho. Afinal, como controlar meus próprios caminhos? Será que ele narraria meus sonhos sem deturpá-los? Então, perguntei ao narrador:

– O que garante que a sua história sobre a minha vida não será pobre em detalhes e sem credibilidade?

Ele sorriu e disse:

– Simples. Fui eu que te criei.

Após esta resposta eu só consegui ficar mudo. Resolvi aceitar a narração de tal sujeito e hoje sigo vivendo pelos caminhos que meu narrador desenha.

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