Estrela Amarela, de Jennifer Roy

Outono de 1939. A Alemanha invade a Polônia. Os judeus são obrigados a abandonar suas casas com suas famílias e a vestir roupas com uma estrela amarela para identificá-los. Seguem para minúsculos apartamentos de dois cômodos e sem banheiros. O conjunto de pequenos prédios é chamado de gueto, que é cercado por todos os lados isolando os judeus do mundo.

Para o gueto foram enviadas muitas famílias judias, dentre elas a família de Syvia, que muito tempo depois da guerra passou a ser chamada de Sylvia Pelmutter. Ela tinha apenas quatro anos de idade quando se mudou com sua irmã Dora e seus pais para um pequeno apartamento de dois cômodos, local onde passou seis anos de sua infância.

A história de Syvia pode ser vista como mais uma história sobre judeus durante a segunda guerra mundial. O preconceito, o isolamento, os maus tratos, os campos de concentração e o genocídio em massa são aspectos presentes no livro de Jennifer Roy. Porém o que chama atenção é que o livro é narrado em primeira pessoa, aos olhos infantis da pequena menina judia.

Aos olhos de uma criança a história percorre os anos de guerra entre 1939 e 1945. As experiências de Syvia transmitem um olhar inocente e por vezes maduro de uma menina que cresceu em plena segunda guerra mundial.

A inocência está presente no modo como a menina procura passar o tempo fazendo fruto de sua rica imaginação. Brincando com as rachaduras no teto, com pequenas bolas de pó e ao cantarolar para limpar a casa e não deixar nenhuma teia de aranha fugir de suas garras contra a sujeira.

Em contraposição a inocência é possível enxergar uma menina madura em pequenos momentos. Como ao descobrir que sua amiga Hava havia desaparecido, e dentre os questionamentos entende o que se passa no local onde vive: “O gueto guarda zelosamente seus segredos, dá de ombros a essas perguntas”.

O olhar maduro e inocente acompanham a narrativa delicada da menina Syvia, que sofre com o isolamento cada vez mais profundo do local onde vive. As saídas que antes eram livres ao pátio, agora são restritas a presença dos pais e por fim ganham a necessidade da segurança do apartamento apertado da família.

A guerra aperta, a comida fica escassa e os alemães caçam as crianças para retirá-las dos pais e do gueto. Em uma fuga desesperada Syvia e seu pai se escondem em uma cova no cemitério, cena esta que é, sem dúvida, uma das mais marcantes de todo o livro.

O livro é dividido em cinco partes, cada qual com uma pequena introdução sobre o momento específico da guerra. Dentro de cada parte encontramos capítulos divididos como se fosse um diário, em que as datas são substituídas pela estação (outono, inverno ou verão) de um determinado ano. Dentro de cada parte deste diário encontramos pequeninos capítulos, cada um com uma pequena parte do olhar da menina Syvia e todos os pequenos acontecimentos que a rodeavam.

Estrela Amarela, de Jennifer Roy pode ser vista como mais uma de muitas histórias verídicas dos massacres cometidos contra judeus durante a segunda guerra mundial. Mas a narrativa apresentada pela autora, na voz da menina Syvia, dá a esta obra um olhar delicado e poético em que a esperança e a união fizeram toda a diferença em tempos difíceis.

Estrela Amarela
Autor: Jennifer Roy
Tradução: Ernani Ssó
144 páginas
Preço sugerido: R$ 23,50

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