Carta Engarrafada

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“Caro leitor de papeis em garrafas,

Dia desses encontrei uma fadinha nada modesta, pedi um feitiço e ela me cobrou os olhos da cara. Tentei negociar meus braços, pernas, o nariz, o queixo, minha mãe mas ela estava irredutível. Dizia que para o tipo de feitiço que eu queria o único pagamento aceitável era meu par de olhos, afinal os mesmos ficariam inúteis depois do feitiço.

Convencido, porém desconfiado, paguei adiantado com um olho e o outro viria depois do resultado prático. Ela aceitou e logo tratou de pronunciar as palavras mágicas e bater a tal varinha na minha cabeça. Então ela sumiu, e nada aconteceu. Pelo menos até virar a primeira esquina e dar de cara com ela. Cabelos loiros, pequenina, sorriso estonteante e falar empolgante. Três encontros e eu estava completamente apaixonado.

Então a fadinha voltou para exigir a outra parte do pagamento, o olho restante. Eu desconversei, tentei negociar, mas a tal fadinha era teimosa e não aceitava nada em pagamento, somente o tal olho. Como eu iria enxergar? Como iria ver meu amor? Como iria acertar o buraco? Nada a comovia, ficava apenas me olhando com aquela cara angelical e com a mãozinha esticada para eu colocar o tal olho.

Virei de costas, peguei uma bolinha de gude no meu bolso e coloquei na mão da fadinha, ao mesmo tempo que saia em disparada. Meu plano era simples. Pego meu amor, entramos em um navio e fugimos em alto mar. Tinha visto no National Geographic que as fadas não conseguem voar sobre a água, isso devido ao reflexo delas na água causarem um efeito que paralisava suas asas. O plano era perfeito, exceto por um detalhe. A fadinha tinha asas e chegou na casa do meu amor antes de mim, sequestrou-a e enviou-a para o outro lado do oceano.

O ávido leitor deve ter pensado o mesmo que eu naquele momento. Pego um barco e navego até o outro lado do oceano e recupero meu amor, certo? Errado. Primeiro por que não conhecia nada de barcos, segundo por que a falta de um olho me impediu de me alistar na marinha e terceiro por que não sei nadar. A opção foi roubar um barco, e após 3 tentativas frustradas consegui roubar um barco a vela, a melhor opção segundo um velho vigia de barcos para a minha aventura além mar.

O complexo agora era fazer com que o vento soprasse na direção certa, batalha que travo até os dias de hoje. O navio sequestrado tinha uma inscrição na lateral, “o amor é cego”. Ainda pensei que isso tivesse algum significado, mas procurei me focar na batalha terrível das próximas semanas em convencer o vento a soprar na direção correta.

Se tiver alguma dica, manda-a através do vento.

Abraços engarrafados.

El Negro”

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