Cabelos Ardentes

Dizem por aí…

Que na floresta Mata-virgem mora uma menina de cabelos da cor da fogo, junto com sua mãe e irmã. De vermelhos seus cabelos tem apenas a cor, por que sua alma é quente e fumegante, sendo conhecida por todos na floresta encantada como Cabelos Ardentes. Toda semana ela tem a missão de levar um cesta de doces para sua avó, porém o destino é alterado para a casa do Lobo Mau, com o qual ela mantém um romance secreto há 6 meses. Ambos ainda não sabem como contar para os pais dela e dele, mas não estão preocupados com isso, querem apenas aproveitar o momento juntos.

Ela sai da casa de sua mãe saltitante e conforme vai se distanciando, também vai se transformando. A saia até o joelho encurta até a coxa, a blusinha comportada é aberta até exibir um convidativo decote, o batom rubro desperta os bichos mais inocentes da floresta e o cabelo esvoaçante anuncia a quente e deslumbrante Cabelos Ardentes.

Som de passos apressados, olhares curiosos e ela sabe que está sendo seguida e vigiada. Só pode ser a irmã mais nova e invejosa que a persegue para contar a mãe. Mas nada como a ajuda de uma amiga, e no meio do caminho Cabelos Ardentes cruza com Chapeuzinho que lhe empresta sua capa e a mesma despista a curiosa irmã.

Com um sorriso no rosto ela chega a beira da Montanha Quebra-Vento e encontra a famosa Pescadora de Pássaros. Dizia ela ter cansado da mesmice de pescar peixes e que por esse motivo passara a pescar pássaros, aves e qualquer tipo de animal voador. Naquele dia o céu não estava para pássaro, então ela resolveu conduzir Cabelos Ardentes até o alto da Montanha Quebra-mar e a floresta das árvores negras devido a folhagem de cor preta que cobria as árvores.

A capa ficara com a Pescadora em agradecimento e ela seguiu seu caminho através da floresta negra. Lá vivia o famoso Lenhador Demolidor, que de aterrorizante não tinha nada. Pequeno e de corpo pouco atlético ele não assustava nem as mais inocentes criaturas. Dizia ele ser contra a derrubada indiscriminada de árvores e por isso fez um acordo com os castores que lhe davam a lenha em troca de histórias fantásticas, a verdadeira especialidade do lenhador. Ele acompanhou ela até o fim da floresta enquanto contava a história da origem da folhagem negra daquela floresta.

Cabelos Ardentes agradeceu a companhia e seguiu viagem pelo Vale Sem-Vento até a Colina Uivante, residência do seu amor. Chegou cautelosamente para fazer uma surpresa, mas quando entrou na casa ela foi surpreendida. O Lobo-Mau estava na cama com um aspecto de doente. Suas mãos estavam enrugadas e ele disse que fora por causa do longo banho que tomara. Suas orelhas meio surdas e ele disse que era efeito da gripe que o abatera. Seus olhos usavam óculos e ele respondera que eram apenas para leitura. Sua boca usava dentadura, e ELA disse que era para comer os doces.

A Vovózinha pulou da cama, arrancou a cesta de doces da mão de Cabelos Ardentes e começou a devorá-los enquanto contava a história para a neta. Disse-lhe que faziam seis meses que não recebia os doces e que preocupada foi a caça da única criatura que podia executar tal crime contra uma pobre velhinha, o Lobo-Mau. Ela passara as ultimas 48 horas interrogando e torturando tal criatura. O Lobo foi encontrado amarrado no tronco de uma árvore, com os olhos arregalados e nenhum pelo no corpo.

Após o ocorrido, Cabelos Ardentes assumiu a relação com o Lobo-Mau e apesar dos olhares curiosos, a recepção de ambas famílias foi de certo modo pacífica. Porém era proibido pronunciar o nome da Vovózinha perto do Lobo, pois este só de ouvir já perdia todos os pêlos do corpo instantaneamente. Sorte dele que Cabelos Ardentes encontrou utilidades para um Lobo sem pêlos.

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